sábado, 30 de agosto de 2008

Solidariedade em nome de menores retirados aos pais

Dificuldades em obter materiais colocam em causa recuperação da habitação
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Solidariedade precisa-se em nome de três menores retirados aos pais

Voluntários de Foros de Salvaterra pedem ajuda para continuarem a reconstrução da casa do casal Joaquim e Marília a quem o tribunal retirou os filhos por falta de condições de habitabilidade.
Dois meses após o início das obras de reconstrução e ampliação da casa de Marília Batista e Joaquim Manuel, o grupo de voluntários envolvidos neste projecto de solidariedade começa a sentir dificuldades em arranjar materiais para concluir a habitação o mais breve possível para que as crianças voltem rapidamente para junto dos pais.
O grupo garante que trabalha normalmente aos fins-de-semana e não vai desistir de alcançar o seu objectivo mas apela à solidariedade de todas as pessoas para que possam doar algum dinheiro, por mais simbólico que seja, para ajudar a cumprir o sonho de uma família que está separada há mais de 60 dias.
“As pessoas do concelho de Salvaterra de Magos têm sido muito amáveis e solicitas mas sentimos que também elas estão a chegar ao limite daquilo que podem dar sem se prejudicarem. Pedimos ajuda para conseguirmos terminar a obra o mais rápido possível. Só assim as crianças podem voltar para junto dos pais”, diz Jorge Monteiro, responsável da Associação Shorinji Kempo do concelho de Salvaterra de Magos.
O MIRANTE visitou o local para verificar o avanço da obra. O esqueleto da casa já está em pé. Mas falta ainda parte do telhado, janelas, as casas-de-banho, a cozinha e os acabamentos. Segundo o mestre Zé, que lidera o grupo, é necessário ainda mais cimento e tijolos. Toda a ajuda é bem vinda. Quem quiser ajudar pode fazê-lo através da conta bancária da Escola de Shorinji Kempo de Foros de Salvaterra. NIB 004552724018466562313. Esclarecimentos podem ser obtidos através do telefone 960 484 063.
Quando a obra terminar será inspeccionada por responsáveis da Segurança Social. Assim que a Instituição decidir que estão reunidas todas as condições necessárias será proposto ao juiz responsável pelo caso que os meninos voltem para junto dos pais.

“Ainda não veio cá ninguém
da Segurança Social”
O casal comprometeu-se a resolver os problemas de habitabilidade. Nesse acordo ficou estabelecido que a técnica da Segurança Social, Clara Carregado, – que também é membro da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos – iria a casa do casal com frequência para se inteirar de tudo o que está a ser feito. Segundo Marília Batista, isso ainda não foi feito.
“A audiência foi há um mês e até agora não veio cá ninguém ver como as coisas estão a andar. A Segurança Social convocou uma reunião com uma assistente social que nos perguntou apenas se tínhamos visitado os meninos e tivemos que explicar o que estávamos a fazer para reverter a situação”, explica Marília Batista, lamentando que a Segurança Social não se tenha, sequer, disponibilizado para ajudar. “Nem perguntam se precisamos de alguma coisa que possa acelerar o processo”, acrescenta.
“Só nos mandam esperar. Não temos feito outra coisa. O problema é que, enquanto nos mandam esperar porque os senhores responsáveis pelas decisões estão de férias, existe uma família infeliz por estar separada há tanto tempo”, desabafa.

Crianças começam ano lectivo no Centro de Acolhimento

Na última visita ao Centro de Acolhimento Temporário da Praia do Ribatejo, Marília e Joaquim tiveram que comunicar aos filhos que teriam que começar o ano lectivo na Instituição de Acolhimento. As crianças receberam a notícia como um balde de água fria.
“Quando a CPCJ veio buscá-los disseram-lhes para não se preocuparem por que iam ser apenas umas férias e que voltavam a tempo de começarem a escola. Avisaram-me para tratar das matrículas de inscrição uma vez que em Setembro eles voltavam. A Tatiana e o Filipe ficaram muito revoltados com a situação. Dizem-me que podem ir às aulas mas escusam de lhes dar cadernos e lápis porque não vão escrever uma única palavra”, conta a mãe.
Apenas Soraia, de três anos, tem encarado melhor a situação. Chora à noite porque sente a falta da mãe mas pensa que está numa escola com os irmãos. “Felizmente, ainda não se apercebe o que se está a passar”, diz.

Pais visitam crianças no dia do 7º aniversário de Filipe

Filipe fez sete anos na sexta-feira, 8 de Agosto. O casal teve oportunidade de estar com os filhos mais tempo do que o habitual. Aproveitaram para brincar a tarde toda e jogar à bola, o desporto preferido do jovem aniversariante.
Ao lanche, Filipe teve direito a um bolo de aniversário recheado de chocolate com o desenho do Batman, o seu herói preferido. Foi um dos dias em que Filipe se mostrou um pouco mais calmo.
“O meu filho é muito nervoso e quando está contrariado torna-se muito ansioso. Quando os visitamos evitamos ao máximo conversar sobre os problemas mas torna-se inevitável porque os mais velhos querem saber como estão a correr as coisas, e quando a casa está pronta para poderem voltar. Tem sido muito difícil lidar com toda esta situação”, afirma desanimada.

Em "O Mirante" 


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Povo ajuda família a recuperar os filhos


O sol tórrido do Verão convida à praia, mas muitos habitantes de Foros de Salvaterra têm trocado os fins-de-semana de veraneio por dias de trabalho nas obras. Estão a construir uma habitação para a família a quem a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Salvaterra de Magos retirou os três filhos no dia 20 de Junho, por falta de condições de habitabilidade.
Por: João Nuno Pepino
As obras são efectuadas aos fins-de-semana com a mão-de-obra de quatro dezenas de voluntários.

"A intenção é trazer as crianças para junto dos pais o mais depressa possível", explicou ao CM Jorge Monteiro, presidente da Associação Shorinji Kempo do concelho de Salvaterra de Magos, a grande impulsionadora da onda de solidariedade.


Com a ajuda voluntária de cerca de 40 residentes, muitos deles alunos, pais e membros da escola de artes marciais, a velha moradia de apenas duas divisões está a transformar-se numa casa de quatro assoalhadas com condições para acolher os cinco elementos da família.
Todos os materiais foram oferecidos por empresas de construção civil da região, que até as ferramentas emprestaram. "Reagiram de uma forma extraordinária ao nosso apelo", elogia Jorge Monteiro, adiantando que "se não fossemos todos leigos em matéria de obras, talvez o trabalho já estivesse mais adiantado". Os donos da casa, Joaquim Bonito e Marília Batista, não escondem o desejo de ver a empreitada terminada antes do final de Agosto. Um morador de Foros de Salvaterra já ofereceu uma habitação onde o casal pode morar até que as obras terminem.
REACÇÕES
REVOLTA
Os pais das crianças, de três, sete e 11 anos, não escondem a revolta pela forma como lhes foram retirados os filhos. Nunca os maltrataram ou deixaram que lhes faltasse comida, simplesmente tinham uma casa pequena demais, para a CPCJ.
DISTÂNCIA
Os menores foram colocados no centro de acolhimento temporário da praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha. Os pais têm direito a uma visita semanal de duas horas. E as viagens saem caras a este casal de poucos recursos.

Em "O Correio da Manhã"

domingo, 24 de agosto de 2008


Regresso a casa - Trabalhos em 24 de Agosto de 2008 

Desta vez orientados pelo Sr. Manuel, foi preparado o telhado para ser iniciada a colocação das vigas e das telhas.
Ao mesmo tempo uma segunda equipa preparava a colocação das janelas da sala.


 
Um dia rentável.


sábado, 23 de agosto de 2008

Comissão de Protecção de Crianças e Jovens retirou os três filhos menores ao casal por falta de condições de habitabilidade


Sábado, 23 de Agosto de 2008
Comissão de Protecção de Crianças e Jovens retirou os três filhos menores ao casal por falta de condições de habitabilidade

Família de Foros de Salvaterra precisa de ajuda para acabar de reconstruir casa

Voluntários lançam apelo para que lhes seja cedido material de construção para continuarem a obra a bom ritmo.

O grupo de voluntários de Foros de Salvaterra que se mobilizou para ajudar a reconstruir a nova habitação de Marília Batista e Joaquim Manuel conseguiu, em apenas dois fins-de-semana, reabilitar mais de metade da casa e acredita que as obras podem ficar concluídas dentro de três ou quatro semanas. O único problema é que começam a faltar materiais de construção para dar continuidade a este projecto de solidariedade.
Recorde-se que a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos retirou os três filhos menores ao casal, na madrugada de 20 de Junho, por volta das duas da manhã debaixo de um grande aparato policial. Falta de condições de habitabilidade foi a razão invocada para a drástica decisão.
Os voluntários pedem auxílio a todos aqueles que, de alguma forma, possam disponibilizar ou ceder materiais de construção. O grupo necessita sobretudo de cimento, telhas e vigas para concluir a obra que tem decorrido a bom ritmo.
No domingo, dia em que passou um mês desde que os três filhos do casal foram levados de casa dos pais por ordem da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, de Salvaterra de Magos, O MIRANTE esteve no local e encontrou a construção bastante avançada. As paredes estão levantadas. Falta colocar a placa, o telhado, o chão e os acabamentos. O pedreiro faltou mas nem por isso as obras pararam. A manhã de domingo estava cinzenta e fresca o que facilitou o trabalho dos voluntários que garantem ter cada vez mais força e entusiasmo para terminarem a obra o mais breve possível.
“O mais benéfico para as crianças seria elas voltarem para casa uma vez que já estão saturadas de estar no centro de acolhimento. Quando falamos com elas ao telefone e perguntamos se está tudo bem respondem-nos prontamente que não. Sentem-se fechadas e afirmam que querem voltar o mais breve possível para casa”, afirma Jorge Monteiro, professor de Shorinji Kempo de Tatiana e Filipe.
Situação confirmada pela mãe das crianças. Em conversa com O MIRANTE, Marília diz que os filhos já sabem que a casa está em construção e fizeram um único pedido: que os seus quartos sejam pintados com as suas cores preferidas. Rosa para Tatiana e Soraia e azul para Filipe. Marília Batista contou ainda que na última vez que visitou os filhos eles não pararam de chorar e de perguntar quando a casa está pronta.
“Estão ansiosos para que a casa fique concluída. Falo todos os dias ao telefone com a minha filha mais velha e, todos os dias, ela pergunta pela casa. Noto que estão saturados de estarem longe da família. Nunca estivemos tanto tempo afastados. É uma situação muito complicada de gerir”, conta a mãe, angustiada.
Os voluntários destacam o apoio que têm tido por parte dos empresários de Foros de Salvaterra que têm disponibilizado materiais de construção para avançar com a obra. Nesse apoio destacam-se os atletas da Associação Shorinji Kempo do concelho de Salvaterra de Magos. São eles que durante a semana se deslocam pessoalmente às empresas da região e pedem ajuda para conseguirem levar avante este projecto.
“As pessoas têm ajudado de diversas formas. Um empresário do ramo da construção civil disponibilizou-se para fazer o chão. Comprometeu-se a enviar alguns funcionários para fazer o pavimento. Tudo gratuitamente. Além dos materiais de construção já ofereceram um fogão, mesas, cortinados, candeeiros e até mobília para um dos quartos. Tem havido uma enorme onda de solidariedade à volta desta família. Talvez porque percebam que as coisas não foram tratadas da melhor forma”, explica Jorge Monteiro, responsável da Associação de Shorinji Kempo do concelho de Salvaterra de Magos.
Por: Ana Isabel Borrego

Em "O Mirante"